quarta-feira, 17 de junho de 2015

PROFISSÃO

Atualização, tempo e dinheiro
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Motoristas reconhecem que somente os anos na profissão não são mais suficientes para que se possa tirar todos os recursos que os caminhões modernos podem oferecer. Muitos até que gostariam de obter um pouco mais de informação sobre os veículos e condução econômica, porém esbarram na falta de tempo, dinheiro, ou até mesmo de interesse
Texto: Evilazio de Oliveira

A necessidade de aperfeiçoamento profissional é condição para o ingresso e manutenção de um lugar no mercado de trabalho. Ainda mais numa época de constante evolução tecnológica, incluindo o transporte rodoviário de cargas, atividade em que caminhões cada vez mais modernos e sofisticados são produzidos a cada ano. Com isso, os motoristas precisam estar preparados para essas novidades, com treinamento adequado às novas tecnologias, o que nem sempre é possível, principalmente pela falta de tempo e mesmo de dinheiro para investir em cursos específicos para o setor. Na maioria dos casos, os motoristas recebem orientações superficiais nas concessionárias ao retirarem um modelo zerado e de última geração.
É o caso do estradeiro Lair Flores, conhecido no trecho como Gaiteiro, natural de Uruguaiana/RS, 48 anos de idade e 15 de profissão. Conta que precisou retirar um Iveco novo na concessionária e que recebeu instruções básicas sobre o funcionamento do veículo, principalmente do câmbio automático. “Não tive problemas, saí dirigindo e trabalhei algum tempo com o caminhão numa boa”, afirma.
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Lair Flores aprendeu a dirigir com o cunhado e o seu irmão, fez vários cursos e afirma que sempre está pronto para aprender coisas novas sobre caminhão


Hoje, ele trabalha num caminhão ano 2007, com semirreboque sider, por questão de rotas e da possibilidade de não ficar muito tempo longe de casa, mesmo atuando na linha internacional. Lair conta que abandonou a profissão de padeiro para se tornar motorista de caminhão e aprendeu a dirigir com o cunhado e o irmão, ambos carreteiros. Depois frequentou autoescola para a troca de categoria da CNH, fez cursos para o Transporte de Cargas Perigosas, Primeiros Socorros, Cipa e garante que está sempre pronto a aprender coisas novas sobre caminhões e música, suas duas paixões. Afinal, segundo diz, “é muito importante para o estradeiro se manter atualizado na profissão, fazendo todos os cursos que estejam disponíveis, apesar da falta de tempo e muitas vezes de recursos.”
O carreteiro Lúcio de Oliveira Prates, 35 anos de idade e 10 anos de estrada, faz a rota Chile-São Paulo/SP ao volante de uma carreta tracionada por um cavalo-mecânico ano 93. Lembra que aprendeu a profissão com o ex-sogro, também motorista. Prestava atenção, fazia perguntas e em pouco tempo começou a manobrar o caminhão no pátio de estacionamento da empresa. Frequentou uma autoescola para atualizar a CNH e posteriormente fez curso para o transporte de Cargas Perigosas. Também fez um curso rápido numa concessionária para aprender a pilotar um modelo novo com câmbio automático. Garante que agora está tudo bem e não se atrapalha com caminhões modernos.
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O carreteiro Lúcio de Oliveira Prates afirma que não se atrapalha com os caminhões modernos e comenta que falta oportunidade para fazer cursos

A próxima meta de Oliveira Prates, conforme ressalta, é fazer um curso para obter a CNH para o transporte de passageiros. Pretende trabalhar com ônibus e ficar mais perto da família. “O que falta agora é a oportunidade para fazer esse curso”, garante. Segundo ele, os cursos destinados a motoristas ensinam apenas a teoria, enquanto na prática tudo é muito diferente. Por conta disso, acredita que a melhor escola é a estrada e o bom senso de cada condutor.
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Para o chileno Fábian Gonzalo Parra, o motorista tem de estar sempre preparado para as inovações tecnológicas que vão surgindo nos caminhões

Na opinião de Fabián Gonzalo Parra Parra, 37 anos de idade e 17 de volante, natural de Los Andes, Chile – é extremamente importante que os motoristas de caminhão façam treinamentos técnicos para não ficarem para trás. Salienta que os caminhões – como o resto das coisas – sempre trazem inovações tecnológicas e é preciso estar preparado para essas novidades.
Gonçalo Parra lembra que aprendeu a dirigir com o pai, quando ainda era muito pequeno, numa época em que a legislação chilena não exigia curso de autoescola para fazer a carta de habilitação. “Isso agora mudou”, conforme destaca. Ao longo de sua vida profissional fez alguns cursos de especialização, como Cargas Perigosas, Direção Defensiva e Direção Econômica, sempre nas concessionárias. “Eram cursos com duração de dois dias e sempre muito úteis”, conclui.
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Nascido em família de carreteiros, Paulo Luiz da Silva aprendeu a dirigir caminhão muito cedo e tem opinião de que hoje o motorista tem de estar preparado

O estradeiro Paulo Luiz da Silva, tem 61 anos de idade e 32 anos de profissão é natural de Santa Cruz do Sul/RS e faz a rota entre Porto Alegre – São Paulo e Porto Alegre – Rosário/AR. É de uma família de motoristas de caminhão e aprendeu a dirigir muito cedo. Ao servir o Exército, em 1972, fez curso de direção e teoria para a obtenção de sua primeira CNH. “Foi uma moleza”, lembra. Afinal, já tinha experiência de volante e só precisou aprender alguma coisa de teoria e legislação. Aos 19 anos comprou o seu primeiro caminhão, um Chevrolet a gasolina. Segundo ele, só fez cursos no Detran para a troca de categoria da habilitação e recebia informações básicas na concessionária cada vez que trocava de caminhão, sempre por um modelo mais novo.
Hoje, ele dirige um modelo com câmbio automático e acha ótimo. Lembra também que aquele motorista de antigamente, que com um alicate e um pedaço de arame fazia qualquer conserto, não existe mais. Agora, o motorista não mexe em nada. Em caso de pane é só avisar o serviço de socorro-mecânico e tudo é resolvido em pouco tempo. O motorista só precisa estar preparado para dirigir o caminhão com todo o conforto e facilidade. Daí a necessidade de aperfeiçoamentos técnicos para tirar o melhor proveito do veículo, destaca.
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Apesar de reconhecer a importância da atualização, Jamilson Pereira destaca que falta tempo e dinheiro para fazer cursos e participar de palestras

Jamilson Pereira, 36 anos de idade e 10 de volante, natural de Ibirama/SC, aprendeu a profissão com o avô. Embora já soubesse dirigir, precisou frequentar uma autoescola para tirar a sua primeira CNH e também depois, sempre que precisou trocar de categoria. Embora considere ser de muita importância a atualização do motorista - através de cursos e palestras - reconhece que a falta de tempo e dinheiro se constituem num grande problema. Principalmente o tempo, pois é difícil parar de trabalhar. Embora não tenha feito qualquer tipo de treinamento referente ao aperfeiçoamento profissional, garante que tem muita facilidade e, dependendo do instrutor, aprende rápido. Tudo é uma questão de oportunidade, resume.
FONTE O CARRETEIRO

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