OProduzidos no Brasil por mais de
20 anos,
até 1982, muitos jacarés alaranjados
continuam rodando e disputando fretes
com os modernos pesados de motor eletrônico.
até 1982, muitos jacarés alaranjados
continuam rodando e disputando fretes
com os modernos pesados de motor eletrônico.
Jackson Liasch
Em 1957, quando a indústria
automobilística dava os primeiros passos no Brasil,
a empresa sueca Scania-Vabis instalou-se em São
Paulo para fabricar caminhões, lançando
o modelo L51, com motor de 100 hp e capacidade de 6,5
t de carga.
Em contraste com caras-chatas
também surgidos na época, como os FNMs e
os Mercedes-Benz, a cabine do novo caminhão era
comprida, tendo à frente um grande cofre para abrigar
o motor de 6 cilindros em linha, e seus faróis
salientes ficavam acima dos pára-lamas. Tudo isso
lhe dava um ar de... jacaré! e foi com esse apelido
que ficou popular. Apesar de nunca ninguém ter
visto um jacaré laranja, que era sua cor padrão.O motor de 11 litros tinha muito fôlego; o ar vinha de um grande filtro externo
No começo dos anos
60, o L51 foi substituído pelo L75 e L76, que traziam
mudanças principalmente na parte mecânica,
com a adoção de motores de 7 e 11 litros,
de 165 e 195 hp, e grande capacidade de carga. A cabine
recebeu pequenas modificações, como incorporação
dos faróis aos pára-lamas e novas tomadas
de ar. Eram caminhões fortes e o câmbio sincronizado,
a direção hidráulica e eficientes
freios a ar deixavam seus concorrentes em desvantagem.
CABINE-LEITO
Outras melhorias surgiram no final daquela década,
com a linha L100 e L110. A cabine teve a altura aumentada
para a instalação de um pára-brisas
maior e havia a opção de cabine-leito. Os
motores eram basicamente os mesmos de 11 litros que são
usados até hoje. O L111S, turbinado, tinha quase
300 hp e combinava potência com economia de combustível,
desenvolvendo boa velocidade média e exigindo pouca
manutenção.A cabine era apertada e quente, como as dos outros caminhões da época, mas a direção hidráulica e o câmbio sincronizado facilitavam a vida do motorista
A aparência de jacaré se manteve até
a mudança de toda a linha, em 1982, quando os Scania
ficaram mais "quadrados" e perderam seus pára-lamas
arredondados. Foram feitas modificações
estéticas e em itens de acabamento e conforto para
enfrentar novos rivais. A mecânica, já consagrada,
mudou pouco. Somente com a adoção da eletrônica
é que surgiram mudanças significativas nos
motores.
O jacaré que ilustra
esta reportagem é um LS 100, trucado, ano 1973.
Pertence à PB Lopes, concessionária da Scania
em Londrina e Maringá. Seu motor, um DN 11, de
202 hp, tem quase 2 milhões de quilômetros
rodados. Foi totalmente restaurado e "descansa"
orgulhoso na vitrine da loja. Às vezes, ele dá
um passeio para prestigiar eventos da concessionária
e para lubrificar seus componentes mecânicos.
Scania faz história
Em 1911, a fusão das fábricas de caminhões
Scania e Vabis, ambas suecas, deu origem à marca.
Em 1969, a empresa se uniu à também sueca
Saab, mudando seu nome para Saab-Scania. A união
terminou em 1995, quando a Scania se tornou independente.
O Brasil, em 1957, foi
o segundo país em que a Scania-Vabis instalou fábrica.
Em 2 de julho daquele ano, nascia a Scania-Vabis do Brasil
S.A. Motores Diesel, nas instalações da
Vemag, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. No
final de 1962, a montadora transferiu-se para São
Bernardo do Campo, onde continua a produzir motores, caminhões
e chassis para ônibus até hoje.Diesel nas veias
Rubens Arlindo, tio da nossa editora Dilene Antonucci, posa diante de seu Scania-Vabis carregado de engradados. A foto é dos anos 60.
Este anúncio de novembro de 1962, publicado na revista Seleções do Reader's Digest, exaltava a força do motor dos Scania-Vabis L75 e outras qualidades que o tornaram um sucesso no transporte pesado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário