domingo, 15 de março de 2015

O jacaré ainda papa fretes

OProduzidos no Brasil por mais de 20 anos,
até 1982, muitos jacarés alaranjados
continuam rodando e disputando fretes
com os modernos pesados de motor eletrônico.
Jackson Liasch
 
Em 1957, quando a indústria automobilística dava os primeiros passos no Brasil, a empresa sueca Scania-Vabis instalou-se em São Paulo para fabricar caminhões, lançando o modelo L51, com motor de 100 hp e capacidade de 6,5 t de carga.
Em contraste com caras-chatas também surgidos na época, como os FNMs e os Mercedes-Benz, a cabine do novo caminhão era comprida, tendo à frente um grande cofre para abrigar o motor de 6 cilindros em linha, e seus faróis salientes ficavam acima dos pára-lamas. Tudo isso lhe dava um ar de... jacaré! e foi com esse apelido que ficou popular. Apesar de nunca ninguém ter visto um jacaré laranja, que era sua cor padrão.

O motor de 11 litros tinha muito fôlego; o ar vinha de um grande filtro externo 

No começo dos anos 60, o L51 foi substituído pelo L75 e L76, que traziam mudanças principalmente na parte mecânica, com a adoção de motores de 7 e 11 litros, de 165 e 195 hp, e grande capacidade de carga. A cabine recebeu pequenas modificações, como incorporação dos faróis aos pára-lamas e novas tomadas de ar. Eram caminhões fortes e o câmbio sincronizado, a direção hidráulica e eficientes freios a ar deixavam seus concorrentes em desvantagem.
CABINE-LEITO Outras melhorias surgiram no final daquela década, com a linha L100 e L110. A cabine teve a altura aumentada para a instalação de um pára-brisas maior e havia a opção de cabine-leito. Os motores eram basicamente os mesmos de 11 litros que são usados até hoje. O L111S, turbinado, tinha quase 300 hp e combinava potência com economia de combustível, desenvolvendo boa velocidade média e exigindo pouca manutenção.

A cabine era apertada e quente, como as dos outros caminhões da época, mas a direção hidráulica e o câmbio sincronizado facilitavam a vida do motorista
A aparência de jacaré se manteve até a mudança de toda a linha, em 1982, quando os Scania ficaram mais "quadrados" e perderam seus pára-lamas arredondados. Foram feitas modificações estéticas e em itens de acabamento e conforto para enfrentar novos rivais. A mecânica, já consagrada, mudou pouco. Somente com a adoção da eletrônica é que surgiram mudanças significativas nos motores.
O jacaré que ilustra esta reportagem é um LS 100, trucado, ano 1973. Pertence à PB Lopes, concessionária da Scania em Londrina e Maringá. Seu motor, um DN 11, de 202 hp, tem quase 2 milhões de quilômetros rodados. Foi totalmente restaurado e "descansa" orgulhoso na vitrine da loja. Às vezes, ele dá um passeio para prestigiar eventos da concessionária e para lubrificar seus componentes mecânicos.
Scania faz história
Em 1911, a fusão das fábricas de caminhões Scania e Vabis, ambas suecas, deu origem à marca. Em 1969, a empresa se uniu à também sueca Saab, mudando seu nome para Saab-Scania. A união terminou em 1995, quando a Scania se tornou independente.
O Brasil, em 1957, foi o segundo país em que a Scania-Vabis instalou fábrica. Em 2 de julho daquele ano, nascia a Scania-Vabis do Brasil S.A. Motores Diesel, nas instalações da Vemag, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. No final de 1962, a montadora transferiu-se para São Bernardo do Campo, onde continua a produzir motores, caminhões e chassis para ônibus até hoje.

 Diesel nas veias





Rubens Arlindo, tio da nossa editora Dilene Antonucci, posa diante de seu Scania-Vabis carregado de engradados. A foto é dos anos 60.


Este anúncio de novembro de 1962, publicado na revista Seleções do Reader's Digest, exaltava a força do motor dos Scania-Vabis L75 e outras qualidades que o tornaram um sucesso no transporte pesado. 

FONTE CARGA PESADA



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